sábado, 21 de novembro de 2009

Fedo, estou lendo um livro que a Keila me emprestou. O nome dele é COMER, REZAR, AMAR. É a história de uma escritora americana de 30 anos, que depois de passar por um divórcio conturbado e sofrer muito por amor, resolveu viajar em busca de auto-conhecimento e Deus. Ela foi para a Itália, Índia e Indonésia.

A viagem para a Indonésia foi devido a profecia de um xamã, quando ela havia estado lá pela primeira vez uns dois anos atrás. Por isso voltou. Tem uma passagem em que os dois têm uma conversa muito interessante:

"... disse ele, conhece uma meditação que o leva 'para o cima'.

- Para o cima? - perguntei - O que é para o cima?

- Para sete níveis acima - disse ele. - Para o céu.

Ao ouvir a conhecida ideia dos 'sete níveis', perguntei-lhe se ele queria dizer que sua meditação o fazia passar pelos sete chacras sagrados do corpo mencionados no ioga.

- Não, chacras não - disse ele. - Lugares. Esta meditação me leva a sete lugares no universo. Para o cima e para o cima. Último lugar que vou é céu.

- Você já foi ao céu, Ketut? - perguntei.

Ele sorriu. É claro que já havia estado lá. É fácil ir ao céu.

- Como é lá?

- Lindo. Tudo lá é lindo. Todas as pessoas lindas estão lá. Tudo lindo de comer está lá. Tudo lá é amor. Céu é amor.

Então Ketut disse que conhece outra meditação.

- Para o baixo. - Essa meditação para baixo o leva sete níveis abaixo do mundo. É uma meditação mais perigosa. Não serve para iniciantes, apenas para um mestre.

- Então - perguntei -, se você sobe ao céu na primeira meditação, então na segunda meditação, você deve descer até o ...?

- Inferno - disse ele, terminando a frase.

(...)

Para tentar entender melhor, perguntei:

- Você já foi ao inferno, Ketut?

Ele sorriu. É claro que já tinha ido lá.

- Como é a vida no inferno?

- Igual a no céu - disse ele.

Ao ver minha expressão de confusão, ele tentou explicar.

- Universo é um círculo, Liss.

Eu ainda não tinha certeza de ter entendido.

- Para o cima, para o baixo... tudo a mesma coisa, no final - disse ele.

Lembrei-me de uma antiga ideia mística cristã: Assim na terra como no céu.

- Então como é possível saber a diferença entre o céu e o inferno? - perguntei.

- Por causa de como você vai. Céu, você vai para cima, passa por sete lugares felizes. Inferno, você vai para baixo, passa por sete lugares tristes. É por isso que é melhor ir para cima, Liss. - Ele riu.

- Você quer dizer - perguntei - que é melhor passar a vida indo para cima, passando pelos lugares felizes, já que o céu e o inferno... os destinos... no final das contas são a mesma coisa?

- Mesmo-mesmo - disse ele. - O mesmo no final, então melhor ser feliz na viagem.

- Então, se o céu é amor - falei -, então o inferno é...

- Amor, também - disse ele.

Fiquei sentada pensando nisso durante algum tempo, tentando fazer a conta fechar.

Ketut tornou a rir e deu um tapinha afetuoso no meu joelho.

- Sempre é tão difícil para pessoa jovem entender isso!"



Acredito em Deus, fedo... Sei que você também acreditava. Aliás, agora acredita mais ainda. Sei também que sempre aprendemos que o inferno é um lugar ruim, muito ruim. Mas, de certa forma, parece me fazer mais sentido pensar dessa maneira. Acabamos todos indo para o mesmo lugar. E é exatamente aí que vem o livre-arbítrio: você pode escolher fazer uma viagem feliz ou uma viagem cheia de dor e tristeza. Chego a pensar que você sabia disso tudo.

Um comentário:

Lourdes... disse...

Realmente o Fedo deve estar muito bem pois tinha um coração bom e com certeza está ao lado de Deus.